Tênis, um trauma fashion

Tênis, um trauma fashion

Eu me senti a única pessoa no mundo a não dar um pulinho de felicidade em 2014 quando a voz da alta moda deu luz verde para o tênis. Greenflash, Converse, Nike Air, Flywear Stansmiths, a escolha é sua. O tênis finalmente voltou ao universo cool e eu me sentia fora. Eu me considero uma pessoa descolada, e hoje em dia salto quase não faz parte do meu vocabulário, então por que esse trauma com tênis?

Continuei sem resposta e enrolei mais um ano e meio, feliz com minha coleção de botas de brechó, sem tocar no assunto. Mas um ano depois, comecei a sentir vontade de comprar um tênis para usar fora da academia. Meus vestidos, saias e calças estavam pedindo em voz alta (mentira) um calçado esportivo.

Planejei aproveitar uma viagem para o exterior para comprar “o tênis”, meu tênis teria esse status, porque não estava pensando em comprar vários pares; além de ser caro, não combinam tanto com meu estilo fashion hippy urbano. Esse foi meu primeiro erro. Procurar um tênis para me representar em todas situações como se fosse um tipo de cartão de visita nos pés. Absurdo, nenhum tênis consegue cumprir esse papel.

Tênis, um trauma fashion Tênis, um trauma fashion

Entrando numa loja de esporte, imediatamente me senti fora da minha zona de conforto, descoberta como uma infiltrada num mundo a que não pertenço. Não me leve a mal, usava tênis e boné quando tinha 20 e poucos anos, mas desde então minha identidade vestido vintage anos 70 falou mais alto. E o estresse daquela molecada de sábado à tarde na Foot Locker me deu um bode total.

Um ano depois, em outra viagem, desta vez para Londres, vi um Reebok Classic, branco, e ri lembrando que tinha esse tênis aos quinze anos. Olhei para as meninas da loja vestidas igual a mim com essa idade. A ironia da situação não foi perdida.

Finalmente eu me rendi, comprei um tênis exatamente igual ao que tinha aos quinze. Fui até o caixa resolvida e cheia de nostalgia, e para fechar o flashback com chave de ouro, Ginuwine Pony tocava no rádio da loja.

Eliza Rinaldi

"Em assuntos de grave importância o estilo, não a sinceridade, é a coisa vital." Oscar Wilde

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