Work, work, work, work, work…e mais work

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Um amigo falou outro dia que a música da Rihanna representa a vida dele, 80% work e o outro 20% ele não entende. Deixando a piada de lado, é assustador quantas horas a maioria de nós passamos no trabalho, indo para o trabalho, estressados com trabalho.

Será que estamos sendo produtivos esse tempo todo? Com tanto foco colocado em qualidade de vida e frases como work/life balance jogadas no ar, estamos nos cobrando não apenas estar presentes e produtivos, mas ao mesmo tempo felizes, equilibrados e cheios de hobbies enquanto fazemos isso. Fácil, né…?

Será que a solução é deixar o mundo de trabalho tradicional?

A cada dia lemos manchetes do tipo “deixei minha vida executiva para abrir minha própria horticultura/Foodtruck/Loja de Brigadeiro (insira seu próprio adjetivo)”.  Todas cantando o hino de emprendedorismo, “faça o que você gosta e não vai mais trabalhar nenhum dia na sua vida”.

Isso é muito legal e tudo, mas será que não é uma noção romântica demais? Seria realmente o único jeito de ter uma vida equilibrada e tempo para si mesmo e para a família? Não é todo mundo que pode largar o ratrace e virar empreendedor, nem todo mundo quer.

Não me leve a mal, acho incrível poder ter sua própria empresa fazendo algo que gosta, pois sigo esse modelo de trabalho, e sim, temos que trabalhar muito para realizar nossos objetivos e sonhos, não é do que estou falando. A questão é mais a necessidade de demonstrar nosso valor através do tempo em que estamos presentes no escritório, para além das horas do dia normal de trabalho.

Talvez a raiz do problema seja a cultura de trabalho que temos.

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A cultura de vida urbana que diz que pessoas que saem do escritório no horário são preguiçosas e sem ambição. Que o cálculo certo para o sucesso é: Trabalho + todos os horários do dia + noites e fim de semanas + demonstração de zero vida fora do trabalho = dedicação ao trabalho e uma promoção iminente (obs: isso deve ser multiplicado por dois se for mulher).

Quantas de nós ficamos coladas a nossas mesas de trabalho até o chefe terminar o dia dele? Ou nos vemos numa cena de impasse mexicano com os colegas para ver quem faz logoff primeiro? Será que sempre foi e sempre será assim?

Um lugar onde esse comportamento não traz favores é a Dinamarca, onde um dia típico de trabalho é das 8h às 16h; trabalhar além disso não é visto de forma favorável, e se ficar até tarde é mais provável você ser reprendido por ineficiência do que promovido.

Seguindo pesquisas, a Dinamarca tem o melhor work/life balance do mundo. A semana oficial de trabalho é de 37 horas, mas pesquisa recente da OECD mostrou que os dinamarqueses trabalham em média 33 horas por semana. O resto do tempo tem livre para aproveitar suas famílias ou fazer algo para eles mesmos.

Existe uma confiança de que vão fazer um bom trabalho durante o dia. Esse nível de autonomia pode parecer estranho, mas a consequência é que são mais felizes e trabalhadores felizes são comprovamente 12% mais produtivos.

Parece que temos alguma coisa a aprender com os dinamarqueses!

Eliza Rinaldi

"Em assuntos de grave importância o estilo, não a sinceridade, é a coisa vital." Oscar Wilde

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