Exposição “The Vulgar: Fashion Redefined” questiona o conceito de bom gosto

Exposição "The Vulgar Fashion Redefined" questiona o conceito de bom gosto | Estilo ao Meu Redor

Quase não existe ninguém que não tenha sua própria opinião sobre o que é bom gosto, mas quanto nosso próprio julgamento do que é brega ou bom gosto é subjetivo e relacionado a nossa cultura e experiências próprias, e quanto isto é problemático para nosso olhar?

A exposição The Vulgar Fashion Redefined explora o assunto controverso, mas convincente do bom gosto na moda. Trabalhando com base na teoria de que vulgaridade e bom gosto são nada mais do que perspectivas, provoca uma discussão sobre a definição do “vulgar” numa exposição que cobre o período da Renascença até os dias de hoje. 

O que é vulgar?

O termo “vulgar” foi originalmente usado para caracterizar uma classe social e para descrever qualquer coisa popularmente predominante. Com tempo, esta descrição neutra se transformou em ofensa. Hoje em dia, “a palavra ‘vulgar’ é usada para policiar as fronteiras de gosto. Moda é onde bom gosto e mau gosto se misturam,” diz psicanalista Adam Phillips. Tirando partido de fontes de literatura e citações de personagens como Coco Chanel e Jonathan Swift para formar novas interpretações, olha-se para as origens do vulgar e questiona-se se o “vulgar” pode ser confinado ao superficial.

A exposição é criada e projetada pela curadora Judith Clark, baseada em novos textos de Phillips. Usando definições diversas de vulgaridade para o começo, gera um diálogo que acompanha o visitante no percurso da exibição. A exposição combina roupas históricas, couture e moda prêt-a-porter com cada objeto exibido refletindo aspectos do vulgar, mesmo que todos os objetos sejam agora sancionados pela sociedade. Isso ilustra a instabilidade do gosto: o que era identificado como vulgar é reconfigurado e se torna alta moda.

Na exposição

Criações de Walter Van Beirendonck, Manolo Blahnik, Christian Dior, Karl Lagerfeld para Chloé, Prada, Vivienne Westwood e muitos outros são exibidos. Mostruários variam de vestidos mantua com suas saias amplas e silhuetas usadas na corte inglesa no meio do século 18 a trabalhos contemporâneos da estilista Pam Hogg, cujas criações muitas vezes brincam com as extremidades de revelar e esconder, alusão ao hedonismo da balada.

A exposição conta também com empréstimos de importantes coleções públicas e particulares, incluindo contribuições de estilistas modernos e contemporâneos como Christian Dior, Madame Gres, Jeanne Lanvin, Christian Lacroix, Louis Vuitton, e Vivienne Westwood. Tudo com o objetivo de desafiar o visitante a considerar a indústria de moda de outra perspectiva. Para quem curte moda e tiver a sorte de estar planejando uma viagem para Viena nos próximos meses, esta exposição é imperdível.

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Sobre a exposição “The Vulgar Fashion Redefined”

Até dia 25 de Junho, 2017 

Winterpalais of Prince Eugene of Savoy 
Himmelpfortgasse 8 
1010 Vienna, 
Austria. Mais infos aqui.

A exposição foi originalmente apresentada no Barbican em Londres

Judith Clark é curadora baseada em Londres. Atualmente ela é Professora de moda e museologia na London College of Fashion, University of the Arts, Londres. Ela já fez a curadoria por inúmeros exposições incluindo Spectres: When Fashion Turns Back, V&A, (Fantasmas: Quando a moda vira pra trás) 2005.

Adam Phillips é psicanalista e escritor. Autor de vários livros celebrados incluindo Side Effects (Efeitos Colaterais), 2006, On Kindness (sobre bondade), 2009, Missing Out: In Praise of the Unlived Life (Se perder: em adoração da vida não vivida), 2012, One Way and Another (De um jeito e de outro), 2013, e Unforbidden Pleasures (Prazeres não proibidos), 2015.

Eliza Rinaldi

"Em assuntos de grave importância o estilo, não a sinceridade, é a coisa vital." Oscar Wilde