O perigo do dia das mães

Enrolei para escrever sobre o dia das mães. Pensei em fazer mais um guia de presentes, mas tive bloqueio. Tenho sensações contraditórias sobre esse dia...

Enrolei horrores para escrever um post sobre o dia das mães, pensei em fazer mais um guia de presentes, mas tive bloqueio. Talvez porque eu tenha sensações contraditórias sobre o dia das mães. Por um lado, é fundamental demonstrar nossa gratidão e apreciar a pessoa em nossas vidas que, na maioria dos casos, fez mais sacríficos por nós. Por outro lado, é um dia para a sociedade se absolver com flores e chocolates da carga mental sentida pela maioria das mães. Aplaudidas por fazer tudo, cuidar de tudo, ser profissionais fodonas, anfitriãs perfeitas, amantes dispostas, e sempre presentes a cada refeição, banho e joelho ralado, tudo sem um fio de cabelo fora do lugar.

Eu, como a maioria das mães, coloco meu filho em primeiro lugar, mas tenho certeza que outras mães também podem se identificar com a sensação de preocupação junto com uma de “fodeu meu dia de trabalho” quando vê o número da escolinha na tela do celular tocar. Porque elas sempre ligam para a gente, né? Mas também não queria deixar de ser a primeira na lista a ser chamada… falei, sensações contraditórias!

Esse é meu segundo dia das mães, mas, também sou filha, e minha mãe é uma mulher incrível que, mesmo com muitas crenças e opiniões diferentes das minhas, tem um imenso orgulho de mim, me defenderia até a morte, e nunca me deixou questionar seu amor por mim. Mas também vem esse tema de sacrifício. Até quando vamos ver sacrifício como virtude em uma mãe?

Em contrapartida, dia dos pais também é uma data importante para comemorar, mas você já percebeu como o foco é diferente? A figura do pai é uma que ensina e dá exemplo de tudo que ambos, meninos e meninas, querem ser quando crescer. Mais importante, se não estiver presente em casa, ele é perdoado porque é um super-herói no mundo do trabalho para sustentar a família. Você já ouviu o termo pai que trabalha? Pois é!

E nós, as “Working Mothers”, nem sempre nos ajudam. Aos poucos, a sociedade está aprendendo que há uma vida além de nossos filhos, e um trabalho que não seja apenas um hobby está sendo mais aceitável. Mas a gente, pela maior parte, acaba não deixando de fazer a maioria do trabalho de casa, trabalhando mais horas para ser levada a sério profissionalmente, encarando a agenda da semana como um verdadeiro quebra cabeça de consultas, reuniões, trabalho, academia e mais mil e outras coisas para serem encaixadas. Eu reconheço que minha vida é bem mais fácil do que de outras mães que não tem apoio nem condições financeiras, mas a ironia é que comecei a escrever esse post depois de passar 10 minutos calculando como ia levar Gael para escolinha, fazer feira, fazer muffins de banana para um café da manhã de dia das mães na escolinha, treinar, tomar banho e me arrumar para o trabalho, tudo num período de uma hora e meia!

Às vezes isso parece até uma piada cruel do patriarcado; “claro, mamãe pode fazer tudo, mas não sair para brincar antes de fazer seu dever de casa, e deixar seu celular ligado caso precisem de você” 😉

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